Documentários

Projeto NIM (Direção: James Marsh)

Na década de 70, o professor de psicologia da Universidade de Columbia Herb Terrace desenvolveu um projeto com o objetivo de descobrir se um chimpanzé criado como uma criança humana, entregue a uma família desde pequeno, seria capaz de desenvolver a linguagem dos sinais. Estava em voga na época a questão “nature x nurture” (natureza x criação), sobre o que teria preponderância no desenvolvimento cognitivo e nas escolhas que as pessoas faziam. O documentário acompanha os 26 anos de vida de Nim, indo de uma família a outra, de um educador a outro. Com 05 anos de idade, seu repertório contava com mais de 100 palavras. Mas a tentativa de criá-lo em um ambiente impróprio à sua natureza terá consequências devastadoras para todos os envolvidos, principalmente para Nim.

Paradise Lost 1: The Child Murders at Robin Hood Hills; Paradise lost 2: Revelations; Paradise lost 3: Purgatory (Direção: Joe Berlinger e Bruce Sinofsky, 1996; 2000; 2011)

Ao longo de quase 20 anos, Berlinger e Sinofsky acompanham a saga de 3 adolescentes acusados de assassinar, num culto satânico, três garotos de oito anos de idade, encontrados mortos numa mata na cidade de Memphis, Arkansas. Fica claro que desde o início do julgamento a que foram submetidos, resultado de uma investigação marcada por incongruências, falhas grotescas, sem provas ou evidências concretas de suas participações, que Jason Baldwin, Jessie Misskelley (ambos com 16 anos na época) e Damien Echols são considerados culpados pela comunidade local devido ao gosto por heavy metal e Metallica, uso de roupas pretas e atitude de rebeldia, em uma cidade caracterizada pelo fundamentalismo religioso cristão; os dois primeiros foram condenados à prisão perpétua e Damien Echols à pena de morte. O primeiro episódio, produzido pela HBO e lançado em 1996, teve enorme repercussão nos Estados Unidos, e os “Três de Memphis” (West Memphis Tree, como ficaram conhecidos os acusados) ganharam apoio popular por sua luta a um novo julgamento.

Dear Zachary: a Letter to a Son About His Father (Direção: Kurt Kuenne, 2008)

Após seu melhor amigo, o jovem médico Andrew Bagby, ter sido assassinado pela namorada em 2001, e descobrir que ela estava grávida, o diretor Kurt Kuenne resolveu fazer um documentário para que, no futuro, a criança (Zachary) pudesse conhecer mais sobre o pai; para que a criança soubesse o quanto o pai era querido pelos amigos e familiares. Kuenne parte para uma viagem para diferentes partes dos Estados Unidos para colher depoimentos e entrevistar aqueles que foram próximos de Andrew. Ao longo das filmagens, reviravoltas surpreendentes acontecem, e o desfecho é, para dizer o mínimo, chocante. Um dos filmes mais tristes a que assisti até hoje.

A tênue linha da morte (Direção: Errol Morris, 1988)

Trata-se da reconstrução sobre a investigação do assassinato de um policial de Dallas em 1976, na qual Randall Adams foi considerado culpado e condenado à morte. Pode-se dizer que se trata de um caso no qual um documentário realmente salvou uma vida.

Procedimento operacional padrão (Direção: Errol Morris, 2008)

“Nada é mais fácil do que censurar um malfeitor; nada é mais difícil do que entendê-lo”. (Dostoievski, “Notas do Subsolo”). Documentário realizado com base nas famosas fotografias que retratam prisioneiros iraquianos em Abu Ghraib, sendo torturados e humilhados por soldados americanos, tiradas por membros do exército. Morris está interessado em saber o que estava acontecendo fora da moldura de cada imagem, tendo entrevistado os soldados que tiraram as fotografias e aqueles que aparecem nelas. Trata-se daquilo que o Philip Zimbardo, autor do célebre “Experimento da Prisão de Stanford” chama de “efeito Lúcifer”, ou as modificações no caráter humano decorrente de desumanização do indivíduo, difusão de responsabilidade pessoal, obediência cega à autoridade, conformismo não-crítico às regras do grupo e tolerância passiva ao mal pela indiferença ou inação.

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