A glória do homem de bem

“Pois eu, que conheço o bem, te digo, Perses, grande tolo:

mui pronto o vício conquista multidões,

é muito fácil: seu caminho é plano e está logo ali.

Mas perante a virtude suor ordenaram os deuses

imortais. É longa e inclinada a subida até ele,

espinhosa no início, mas quando se chega ao topo

mais fácil se torna, ainda que seja difícil.

Eis o melhor: aquele que pensa tudo por si

e conjuga o que convém agora com o fim.

É bom também quem ouve do bem e obedece,

mas quem não pensa por si, nem ouvindo o conselho

não o guarda na mente, este é um homem inútil.”

Hesíodo, Os trabalhos e os dias (século VII a.C.?)

“A glória do homem de bem é o testemunho da boa consciência”

Tomás de Kempis, A imitação de Cristo (século XIV)

Recentemente, noticiou-se (link aqui) que Sailson Jose das Graças havia sido preso em flagrante, após assassinar uma mulher, em Nova Iguaçu (RJ), e que, durante seu depoimento, ele afirmara ter matado outras 42 pessoas nos últimos nove anos. Vejamos alguns trechos do depoimento:

“Eu não matava com preocupação de ir pra cadeia não. Fazia as coisas bem feito, é por gostar mesmo isso. Preocupava mais com a digital, se o local tem câmera, se o local não tem câmera. Eu não levava documento, não levava nada que desse pista para a polícia. (…) Ficava observando a vítima, estudando. Esperava um mês, às vezes uma semana, dependendo do local. Eu procurava saber onde ela mora, como é a família dela, se ela passava na rua, via, dava uma olhada na casa, ficava estudando ela. (…) Se eu sair daqui a uns 10, 15 ou 20 anos, eu vou voltar a fazer a mesma coisa. É a vontade mesmo, não tem jeito. Eu saio, escolho as minhas ‘mulher’, as mulheres do meu perfil, e se achar que tem que ser, vai ser”

A tendência quase que imediata do público é declarar: eis mais um psicopata. Para além de especulações acerca dos detalhes técnicos da classificação psiquiátrica, dois aspectos de seu discurso chamaram a minha atenção: o planejamento meticuloso, organizado e consciente, orgulhosamente descrito para os policiais – e eficaz, pois se as provas corroborarem sua história, Sailson permaneceu impune por nove longos anos – e a crença na inelutabilidade de seu comportamento. Temos aí uma combinação aparentemente contraditória e, no entanto, além de altamente inflamável, ordinariamente utilizada por perpetradores de violência em geral e usuários de drogas, à guisa de explicação para suas ações.

“Eu não matava com preocupação de ir pra cadeia não. Fazia as coisas bem feito, é por gostar mesmo isso. Preocupava mais com a digital, se o local tem câmera, se o local não tem câmera”. Em graus distintos, toda técnica inebria (Gustavo Corção); aplicar-se ao estudo de qualquer técnica até dominá-la assegura uma sensação de poder. Apreender os detalhes técnicos de sua “empreitada” não lhe servia apenas para manter suas atividades ocultas, mas principalmente para  validar sua crença de que tal conhecimento, secreto e valioso, seria capaz de atribuir-lhe domínio sobre o presente, inexistente na realidade concreta, em seu dia-a-dia, e obter com isso vanglórias imaginárias (consequentemente, domínio sobre o futuro); para lidar com as frustrações cotidianas de uma sociedade que elege o igualitarismo como concepção única de justiça e que avalia o sucesso e o fracasso à luz de posses materiais, ou da capacidade de que cada um dispõe para obtê-los, todo fracassado precisa estabelecer ele mesmo os seus próprios moldes do que é ser ou não vitorioso. Narciso pode se sentir melhor mudando de espelho. Temos, portanto, outro desdobramento desse trecho de seu discurso: a preocupação e o desejo de uma boa autoimagem. Em outras palavras: o controle absoluto de suas cenas de crime poderia compensar a falta de controle sobre todos os outros aspectos de sua vida (social, econômico, afetivo). E tal desdobramento nos aponta para o que está implícito em sua fala:

“Se eu sair daqui a uns 10, 15 ou 20 anos, eu vou voltar a fazer a mesma coisa. É a vontade mesmo, não tem jeito. Eu saio, escolho as minhas ‘mulher’, as mulheres do meu perfil, e se achar que tem que ser, vai ser”.

Sailson se coloca como vítima de circunstâncias incompreensíveis, de alguma patologia incurável e incontrolável. Ele não é alguém que age por pura maldade, mas simplesmente alguém que é incapaz de controlar a perversidade que o acomete. Percebem a contradição? Ele é tão incapaz de controlar suas ações que ficava observando a vítima, estudando. Esperava um mês, às vezes uma semana, dependendo do local. Eu procurava saber onde ela mora, como é a família dela, se ela passava na rua, via, dava uma olhada na casa, ficava estudando ela”.

Theodore Dalrymple (pseudônimo literário do psiquiatra inglês Anthony Daniels; Daniels  trabalhou em diversos países até se aposentar em 2005 em um hospital e em uma penitenciária em Birmingham; autor de A vida na sarjeta – o círculo vicioso da miséria moral, Spoilt Rotten – the toxic cult of sentimentality, In praise of prejudice, entre outros) escreveu, em um de seus ensaios magistrais:

“Excluindo-se os casos de malformações neurológicas, a única causa inquestionável da violência, tanto a política quanto a criminosa, é a decisão pessoal de a cometer. Qualquer estudo sobre a violência que não leve em consideração os estados de espírito é incompleto. (…) Tentamos esvaziar o mundo do seu conteúdo moral atribuindo tudo a forças impessoais que, naturalmente, só nós, espertos como somos, podemos remediar – tão logo nos deem poder para tal. (…) A violência jamais poderá ser compreendida corretamente se não levarmos em consideração as ideias que as pessoas tem sobre o que é certo; o que é justo; o que é correto; o que cada um merece; quais são as consequências para quem a pratica; e, acima de tudo, sobre o que é realmente importante na vida”.

Neste final de ano, em tempos de materialismo desesperado – a ponto do combativo filósofo e neurocientista ateísta Sam Harris lançar um livro bizarro, intitulado “Despertando – Um guia para a espiritualidade sem religião” – talvez valha a pena resgatarmos a ideia socrática de alma – isso mesmo, prezado leitor, prezada leitora, essa coisa tão fora de moda: alma, a essência do homem, aquilo que ele “é” quando se recusa a se deixar guiar por opiniões correntes e olha para dentro de si e se concentra sobre sua própria capacidade escolher e decidir; a sede das capacidades racionais humanas, que abriga a verdade, o local da compreensão do que é universal; pois a partir do momento em que procuramos o bem universal e o encontramos, não no mundo, mas em nossa interioridade, somos capazes – e aqui, a contribuição do Cristianismo: com a graça de Deus e a imitação de Cristo – de chegar à virtude; e uma vez compreendida, a virtude deve ser incorporada em nossa ação, em nossas atitudes, em nosso comportamento. A ordenação da alma é a medida mais eficaz para aferir a desordem do mundo.

Ordenar a alma é buscar o bem; conhecê-lo. Pois o mal, insidiosa e habitualmente, se apresenta disfarçado com as virtudes do bem.

Deixo-os, agora, além de minha pequena e amena retrospectiva de 2014, com as palavras do filósofo francês Fabrice Hadjadj, retiradas de seu livro de 2009 (infelizmente não publicado em português) “La Fe de lós demônios – o el ateísmo superado”, e com os meus votos de feliz Natal e excelente 2015. Obrigado pela companhia.

“(…) O mal mais ilusório não se encontra no vício reconhecido. O vício enquanto vício não tem força para nos seduzir. Nossa vontade não pode querer o mal pelo mal. Para movê-la é preciso uma certa aparência de bem. (…) O mal não é nada bom em si, para atrair-nos tem sempre que emprestar do bem sua fachada, e o que faz La Rouchefoucauld, ao desvelar o mecanismo de nossa hipocrisia ou de nosso orgulho, é denunciar a debilidade ontológica do vício: para fascinar-nos, precisa adornar-se com plumas de pavão, pretender-se superior, enfim, disfarçar-se de virtude. E esse disfarce não consiste em simular virtude, mas, para que sigamos persuadidos de nossa retidão, consiste em separar uma virtude de seu cônjuge – em romper o elo onde uma afirma a excelência da outra. Chesterton havia enxergado isso perfeitamente. Repete-se frequentemente, em nosso meio, esta sua frase: “as ideias modernas são ideias cristãs que enlouqueceram”, frase que, retirada de seu contexto, deformada em seu conteúdo, chega a ser uma cantilena que, ela própria, enlouquece. Esqueceu-se, nesse intervalo de tempo, do princípio dessa loucura ideal: o desmembramento da estrutura trinitária do verdadeiro, o deslocamento do organismo das virtudes conexas.

“O mundo moderno não é mau; sob determinados aspectos, o mundo moderno é até excessivamente bom. Ele está repleto das mais selvagens e desperdiçadas virtudes. Quando um sistema religioso sofre qualquer abalo (como aconteceu com o Cristianismo por ocasião da Reforma), não são apenas os vícios que ficam em liberdade. Os vícios ficam, sem dúvida, à solta, vagueiam livremente e causam imensos danos. Mas as virtudes também andam à solta, vagueiam de modo mais selvagem e causam danos ainda maiores. O mundo moderno está repleto de antigas virtudes cristãs que enlouqueceram. Essas virtudes enlouqueceram porque ficaram isoladas umas das outras e vagueiam por aí sozinhas.” (G.K.Chesterton, Ortodoxia).

Essas linhas bebem na profundidade dos últimos versículos do Salmo 61:

“Deus falou uma vez,

E duas vezes eu ouvi

Isto: a Deus pertence a força,

E a ti, Senhor, pertence o amor;

E isto: quanto a ti, pagas

o homem segundo suas obras.”

Sempre ouvimos a única palavra divina, na casa de Deus, por meio de um par de enunciados que devem se manter unidos. Neste caso, a misericórdia (a ti, Senhor, pertence o amor) unida à justiça (pagas o homem segundo suas obras). Mas como isso não funciona, o mundo, segundo Chesterton, introduziu o divórcio nesse difícil matrimônio e resulta que cada virtude se torna tanto mais segura de si mesma quanto mais adúltera. A dupla se transforma em dualidade. A complementaridade se quebra em contrariedade. Como temos visto, o gênio diabólico não consiste tanto em rechaçar o bem mas em monopolizá-lo para proveito próprio (rezar sem respeitar a ordem divina, como dizia Santo Tomás de Aquino). Dessa forma se extravia inclusive nosso desejo de fazer o bem, isolando as bondades que a verdade une: a justiça sem misericórdia, que se torna crueldade, frente à misericórdia sem justiça, que se torna permissividade; a humildade sem generosidade, que se torna modéstia indolente, frente à generosidade sem humildade, que se torna ativismo vaidoso…e finalmente, a verdade sem amor, que é a fé dos demônios, frente ao amor sem verdade, que é a filantropia do diabo. Corremos atrás dessas virtudes parciais que são vícios completos, e o mundo pode perecer por nossa diligência”.

A) FILMES

1) True Detective: minissérie que é, ao mesmo tempo, cinema e literatura; o sentido de eternidade, ou o desejo de se prolongar ao “inacabável do tempo”, só é possível pela consciência da finitude.

2) All is lost, de J.C. Chandor: adversidades que ressaltam a percepção de abandono do personagem e o que é preciso para escapar de sua condição: o sacrifício interior a ser realizado por um homem que, enfim, reconhece seus erros e admite que, para sobreviver, necessita restabelecer sua alteridade.

3) The Immigrant, de James Gray: quando Marion Cotillard e sua irmã chegam em Nova Iorque, vemos o dorso da famosa Estátua, numa prefiguração de que a verdadeira liberdade não poderá ser encontrada na cidade; a obra-prima de James Gray descreve a construção de uma relação de co-dependência entre dois indivíduos, cujo pragmatismo lhes trará mais perdas do que ganhos; que liberdade resta quando se perde a própria alma? E, no entanto, também lhes propiciará o caminho para a redenção.  “Passei por tantas provações. Será que lutar tanto para sobreviver se tornou um pecado para mim? Será um pecado querer sobreviver, quando fiz tantas coisas ruins? Deus enviou-me a uma pessoa tão incrivelmente perdida, alguém que transformou a minha vida em pecado, e agora, essa pessoa sofre por mim. Assim, estou aprendendo o poder do perdão.”

4) O lobo de Wall Street, de Martim Scorsese: o triunfo e a glorificação do sucesso individual a qualquer preço: dinheiro, excessos e alienação formam os moldes dessa descrição vigorosa da década do “eu”.

B) DISCOS

8) Ryan Adams, Ryan Adams: o nome do álbum já diz tudo: depois da tempestade (“eu estava me fingindo de morto, não fazia um som, segurava minha respiração enquanto afundava”), otimismo e prenúncios de felicidades (“não posso ver a escuridão em ascensão, ficarei esperando aqui até que a maré mude”) pelo retorno às origens, com belas melodias e músicas diretas.

7) Sharon Van Etten, Are we there: ao contrário de Lykke Li, o esquadrinhamento intimista que Sharon Van Etten faz de amores quebrados e relacionamentos imperfeitos demonstra maturidade, ao sinalizar uma esperança, uma saída do ambiente melancólico – por meio da ironia, do reconhecimento de que alegrias e tristezas fazem parte do mesmo cardápio.

6) Brody Dalle, Diploid Love: guitarras altas, linha de baixo sombria, bateria pulsante, trompetes e mariachis delimitam o cenário para a força da voz de Brody, que anuncia: não se metam com ela (“eu vou queimar esta cidade”), nem com seus sonhos (“dias melhores estão esperando por mim e eu irei vestida de sonhos”). Em 2014 o rock esteve mais bem cuidado sob mãos femininas.

5) Lykke Li, I never learn: relacionamentos fracassados que se repetem como valsas melancólicas deixam feridas expostas que, apesar de não sangrarem mais, demoram a cicatrizar. Lykke Li fala sobre erros que nunca se convertem em aprendizado, e canta para os corações sofredores que insistem em caminhar para frente com passos falsos (“onde a lua azul brilha e onde as lágrimas derretem o gelo num oceano de culpa sob estrelas caídas, melodias solitárias, cantos de dor, há uma tempestade e somente o amor permanece”).

4) Damien Rice, My favourite faded fantasy: Rice canta suas fantasias desbotadas; retratos, em piano e cordas, ora minimalistas, ora dramáticos, de ausências que sangram e felicidades irrisórias que duram menos do que uma lágrima. Quem disse que os homens não sofrem?

3) Leonard Cohen, Popular problems: aos 80 anos, Cohen, com sua voz de barítono e sua poesia recitada, sussurra sabedorias e ironias em baladas a respeito da velhice e da proximidade da morte (“estou amarrando meus sapatos / mas não quero me apressar / chegarei lá quando eu chegar / não precisa de tiro de largada / gosto de não ter pressa / protelo enquanto flutuo / uma semana em seus lábios / a vida inteira em seus olhos”), relacionamentos (“os limoeiros florescendo / as amendoeiras murchando / alguma vez fui alguém / que poderia te amar para sempre? / alguma vez eu te abandonei? / eu já fui capaz? / ainda estamos nos apoiando / naquela mesma velha mesa?”), sofrimento (“e nós que clamamos por misericórdia / do fundo do poço / foi nossa oração tão indigna / que o Filho a rejeitou?”) e esperança.

2) Gaslight Anthem, Get hurt: Nick Hornby escreveu em 2004 um texto que cai como uma luva para o Gaslight Anthem e este Get Hurt: “o rock era e continua a ser necessário porque, afinal, quem não precisa de uma sensação inexplicável de felicidade e de um sentimento de invencibilidade, mesmo às vezes? (…) não me importa se a música soa nova ou velha – só quero que ela tenha anseios e exuberância, que seja desinibida, que reconheça o poder redentor do barulho, que admita que a inteligência emocional às vezes se expressa melhor por uma grande troca de acordes do que por um cenho franzido”

1) Marketa Irglova, Muna: Muna, em islandês, significa “lembrar”; as belas e angélicas harmonias vocais desta cantora checa evocam a beleza da Islândia, país onde mora atualmente, e a descoberta da Graça divina (“nuvens descem sobre gramas selvagens, grandiosas e imponentes, exuberantes à mão, curvam-se no ar como um homem em oração”), apesar das perdas e das dúvidas que surgem pelo caminho (“tem havido sinais pelo caminho / mas são tão obscuros / algumas vezes eu pensava que sabia o que significavam / mas como eu poderia ter certeza? / Todo esse mal-estar faz meu estômago revirar / embora tenha sido eu que montei a armadilha e não Você / Você me deixou aqui sem um mapa / por todo esse tempo eu tive que aprender o caminho / mover-me quando queria ficar / estive certa tanto quanto estive errada / e tudo que eu escuto de você é: / Você é forte o suficiente / por tudo o que teve que enfrentar / o único mapa de que você precisa é Amor / para guiá-la neste labirinto ilusório”). Marketa Irglova nos lembra daquilo que nos falta: “como um desejo que permanece oculto / uma ferida que nunca cicatriza / na secreta linguagem do coração convoquei-o para mim / como a parte que falta do projeto de minha vida”.

2 comentários

  1. Parabéns, um ótimo artigo e na seleção dos melhores discos o da Marketa Irglova compositora do musical que tanto gosto Once que vi recentemente na Broadway e no filme a mesma interpreta a protaginista. Obrigada.

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  2. Não sei nem descrever a riqueza disso:

    […]a obra-prima de James Gray descreve a construção de uma relação de co-dependência entre dois indivíduos, cujo pragmatismo lhes trará mais perdas do que ganhos; que liberdade resta quando se perde a própria alma? E, no entanto, também lhes propiciará o caminho para a redenção.

    “Passei por tantas provações. Será que lutar tanto para sobreviver se tornou um pecado para mim? Será um pecado querer sobreviver, quando fiz tantas coisas ruins? Deus enviou-me a uma pessoa tão incrivelmente perdida, alguém que transformou a minha vida em pecado, e agora, essa pessoa sofre por mim. Assim, estou aprendendo o poder do perdão.”

    Você deveria fazer um post exclusivamente sobre isso!
    Mais uma vez agradeço por me proporcionar a grandeza da oportunidade que é ser seu leitor. Grande abraço.

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