
“Eu também sei ser cruel, aprendi com os mestres”, Catherinie em “Tarde demais“ (dirigido por William Wyler, 1949), adaptado de “A herdeira“, de Henry James.
William Wyler era considerado um diretor incapaz de imprimir marca própria em seus filmes. Temos a história de Catherine (Olivia de Havilland), rica herdeira da fortuna deixada pela mãe. Ela vive com o pai, que não vê méritos na filha, apenas uma pálida sombra da perfeição que a mãe fora. Vista pelos outros como “sem-graça”, “medíocre”, “tímida”, “socialmente inapta”, ela conhece Morris Townsend, galanteador e pobretão, e, encantada, aceita sua proposta de casamento. Identificando o futuro genro como alpinista social e aproveitador, o pai recusa a proposta. Somado ao desprezo do pai e ao demérito social, Catherine agora enfileira a desilusão amorosa. Jurandir Freire Costa, em “Razões públicas, emoções privadas” comenta o elemento central de três filmes de Wyler, incluindo “Tarde demais”:
“As heroínas – Olivia de Havilland, em “Tarde demais”, Eleanor Parker, em “Chaga de fogo”, e a dupla Audrey Hepburn e Shirley Mclaine em “Infâmia” – são alvo de uma moral implacável, que não lhes deixa outra saída, exceto responder com ódio ao ódio de que foram vítimas. Há um ponto, mostra Wyler, em que o perdão não é mais possível, pois quem poderia perdoar renunciou à justiça em troca de vingança. (…) Num dado momento, personagens e espectadores são levados a crer que o desfecho feliz ocorrerá, não obstante as evidências contrárias. Mas Wyler quer justo mostrar como a boa ocasião perdida dificilmente é recuperada. A dor da injustiça, excessivamente prolongada, torna-se irreversível. Ou sabemos reconhecer a chance que a vida nos dá ou não haverá segunda chance. E, Wyler é eloquente, nada mais impiedoso, triste e feroz do que um universo moral sem perdão.”










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