
“The Hospital” (1971), dirigido por Arthur Hiller, disseca o colapso de um sistema de saúde corroído por burocracia e indiferença. O que começa como uma comédia ácida sobre erros médicos e caos administrativo evolui para uma tragédia humana, culminando em um melodrama sobre a busca por sentido em um mundo quebrado. No centro está o Dr. Herbert Bock, um médico brilhante, mas amargurado, cuja jornada reflete a crise de um sistema — e de uma sociedade — à beira do abismo.
O hospital do título é mais que um cenário; é um microcosmo de um mundo disfuncional. O roteiro de Paddy Chayefsky, ganhador do Oscar, constrói um ambiente de sobrecarga de trabalho e negligência, onde médicos exaustos, como Bock, enfrentam uma avalanche de erros administrativos e pacientes esquecidos. Uma cena memorável, em que um paciente é transferido repetidamente entre departamentos até ser “perdido” no sistema, ilustra a desumanização que permeia a instituição. Chayefsky, conhecido pelo roteiro de “Rede de Intrigas”, usa diálogos cortantes para expor como a indiferença sistêmica destrói vidas.

George C. Scott, também premiado com o Oscar, interpreta um homem à deriva que oscila entre o cinismo e o desespero suicida. Em determinado momento, ele grita: “We don’t cure anyone, we don’t heal anyone, we heal nothing!” — é o grito de um médico que perdeu a fé na medicina e em si mesmo. A direção de Hiller, embora menos estilizada que o roteiro, mantém um ritmo frenético que amplifica o caos, com uma câmera que parece tão perdida quanto os personagens.

É na longa noite de crise que Bock encontra um vislumbre de redenção, personificado pela enigmática Barbara (Diana Rigg). Filha de um paciente excêntrico, ela desafia o niilismo de Bock com uma mistura de vulnerabilidade e rebeldia. O encontro entre os dois, numa conversa que oscila entre desabafo e confissão, é como um suspiro de afogado: um momento de conexão em meio ao caos. Embora provisória, essa rebelião contra o desespero sugere que, mesmo num sistema falido, a humanidade pode persistir. Rigg, com sua presença magnética, faz de Barbara mais que uma salvadora; ela é um espelho para as próprias contradições de Bock.
“The Hospital” permanece uma obra atemporal, não só pela crítica ao sistema de saúde, mas por sua exploração da fragilidade humana diante de instituições falhas. Com um roteiro brilhante, atuações memoráveis e uma visão que transcende sua época, o filme de Hiller é um convite à reflexão sobre como encontramos sentido em um mundo que parece condenado ao caos










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