“Como seres humanos civilizados, somos os herdeiros, não de uma investigação acerca do mundo e de nós mesmos, ou de um conjunto acumulado de informações, mas de uma conversa, iniciada nos tempos mais antigos e que se prorrogou e se tornou mais articulada ao longo dos séculos. É uma conversação que prossegue tanto em público quanto em privado. Claro que há discussão, investigação e informação, entretanto mesmo que sejam consideradas vantajosas, devem ser reconhecidas como percursos nesta conversação, e talvez não sejam as passagens mais fascinantes. É a capacidade para participar desta conversa que distingue o ser humano do animal, e o ser humano civilizado do homem bárbaro, e não a capacidade para raciocinar de forma convincente, fazer descobertas a respeito do mundo ou idealizar um mundo melhor. Na verdade, não parece improvável que o engajamento nesta conversação (a qual permanece inconclusa) tenha nos dado nossa aparência atual, homens descendentes de primatas que há muito tempo se sentaram para uma conversa tão longa e antiga que desgastou suas caudas. Educação, corretamente entendida, é a iniciação na habilidade e na parceria para este diálogo, na qual aprendemos a reconhecer as vozes, a distinguir as ocasiões apropriadas para afirmações, e adquirimos os hábitos intelectuais e morais apropriados para a conversação. E é a amplitude desta conversação, no fim das contas, que dá forma e lugar para toda voz e atividade humanas.”

Michael Oakshott, The Voice of Poetry in the Conversation of Mankind (1959).

Uma resposta para “A arte da conversação”.

  1. Que lucidez elegante do Oakeshott! Belo parágrafo.

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