
My Favourite Faded Fantasy, de Damien Rice, chegou oito anos após “9”(2006), hiato que reflete a busca do artista por autenticidade em meio a bloqueios criativos e turbulências pessoais. No Brasil, Rice é por vezes reduzido às horríveis versões de Seu Jorge e Ana Carolina para “The Blower’s Daughter”. Esqueça-as. Este álbum é um mergulho folk de oito canções, guiado por piano e cordas – ora sussurrantes, ora intensamente dramáticos, sob a produção precisa de Rick Rubin. Sem cair em sentimentalismos fáceis, Rice mapeia relacionamentos marcados por desencontros, silêncios que pesam e promessas frágeis, como em “I Don’t Want to Change You”, onde canta: “I just came across a manger / out among the danger / somewhere in a stranger’s eye”.
Suas letras retratam memórias como fotografias rasgadas, divididas entre amantes: sozinhas, as metades são borrões, órfãs de sentido. Em “The Greatest Bastard”, ele reflete: “Cause we never wanted to be lusty or lewd / nor tethered to prudish strings”, expondo a tensão entre desejo e repressão. São fantasias desbotadas que sangram ausências, felicidades fugazes e expectativas impossíveis, tecidas no cotidiano e corroídas pelo tempo.
Rice convida a ouvir suas músicas com atenção. Este é um álbum que ressoa na solidão e na fragilidade humana, consolidando-o como um dos grandes poetas musicais de sua geração.










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